O Mito do Fisioterapeuta "Integrativo": Por que a PBE é a ÚNICA integração que importa
A palavra “integrativo” virou moda. E com ela, uma avalanche de práticas sem base, promessas infundadas e discursos recheados de palavras bonitas — mas vazias de evidência. O fisioterapeuta "integrativo", em muitos contextos, tornou-se uma caricatura: alguém que se diz "holístico", mas que negligencia o mínimo rigor científico que a saúde exige.
Enquanto isso, a dor dos pacientes continua ali. E o que deveria ser cuidado com critério, acaba sendo tratado com cristais, florais, cones hindus e conceitos energéticos que mais se aproximam da mitologia do que da medicina baseada em evidências.
A Falácia da “Integração” Desinformada
Integrar pressupõe conhecimento profundo dos sistemas que se deseja combinar. Mas não há integração verdadeira quando uma das partes se baseia em crença, e não em dados. Não se trata de arrogância científica, mas de responsabilidade ética: não podemos oferecer intervenções cuja eficácia é, na melhor das hipóteses, duvidosa — e na pior, perigosamente inútil.
Pior: essa postura pseudo-integradora afasta a fisioterapia de seu lugar de protagonismo nas práticas contemporâneas de saúde, que exigem fundamentação teórica, avaliação crítica de evidências e raciocínio clínico coerente.
A Única Integração que Importa: PBE + Raciocínio Clínico
O verdadeiro fisioterapeuta integrativo não mistura tudo que vê pela frente. Ele integra evidência científica atualizada, experiência clínica refinada e os valores e preferências do paciente — os três pilares da Prática Baseada em Evidências (PBE).
Essa tríade permite abordagens centradas no paciente, mas com segurança, eficácia e rastreabilidade. Significa também reconhecer a complexidade da dor e do sofrimento humano, mas sem abdicar da razão crítica.
Qual Caminho Você Vai Escolher?
Ser um fisioterapeuta integrativo não significa abraçar tudo. Significa, acima de tudo, saber o que funciona, o que é plausível, e o que respeita a autonomia do paciente e o compromisso com a ciência.
A verdadeira integração não está nos chakras desalinhados, mas na habilidade de transitar com maestria entre evidência, empatia e clínica.
Referências
Sackett DL, Rosenberg WM, Gray JA, Haynes RB, Richardson WS. Evidence based medicine: what it is and what it isn't. BMJ. 1996;312(7023):71–2.
Hayden JA, Ellis J, Ogilvie R, Malmivaara A, van Tulder MW. Exercise therapy for chronic low back pain. Cochrane Database Syst Rev. 2021;9(9):CD009790.
Traeger AC, Henschke N, Hübscher M, et al. Effect of primary care–based education on reassurance in patients with acute low back pain: systematic review and meta-analysis. JAMA Intern Med. 2015;175(5):733–743.
Ernst E. The role of complementary and alternative medicine. BMJ. 2000;321(7269):1133–5.
Prof Leonardo Nascimento, Ft Msc DO PhD
Fisioterapeuta
Osteopata
Pós‑graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
Professor da Escola de Madrid Internacional
Mestre em Ciências da Reabilitação – USP
Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)
Doutor em Neurociências e Comportamento - FMUSP
Estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo – USP
Colaborador do DO‑Touch (American Osteopathic Association)
Coordenador de Grupos de Pesquisa da Escola de Madrid Internacional
Host do Podcast Osteopatia Científica
Revisor de Periódicos de Fisioterapia e Osteopatia
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