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Dor Patelofemoral é Realmente Tão Comum? O Que uma Revisão Sistemática Mostra — e o Que os Números Não Devem Fazer Você Concluir

 A dor patelofemoral é uma das condições mais frequentes encontradas na prática clínica musculoesquelética. Ela aparece em adolescentes, corredores, atletas, militares e também na população geral, geralmente associada a dor anterior ou retropatelar provocada por atividades que aumentam a demanda sobre a articulação, como agachar, correr, saltar e subir ou descer escadas. Mas existe uma pergunta epidemiológica fundamental: Quantas pessoas realmente apresentam dor patelofemoral? Em 2018, Smith e colaboradores publicaram na  PLOS ONE  o estudo  “Incidence and prevalence of patellofemoral pain: A systematic review and meta-analysis” , justamente com o objetivo de organizar os números de incidência e prevalência dessa condição em diferentes populações. O estudo se tornou uma referência importante porque mostrou que a dor patelofemoral é extremamente frequente. Mas, ao mesmo tempo, ele também demonstra algo que precisamos ensinar aos alunos e profissionais: números epidemi...

Terapia Manual Realmente “Regula” o Sistema Nervoso Autônomo? Uma Análise Crítica das Evidências

 É comum encontrar na osteopatia, na fisioterapia e em outras áreas da terapia manual afirmações como: “Essa técnica aumenta o parassimpático.” “Manipular esta região reduz a atividade simpática.” “Trabalhar o crânio ou o sacro regula o sistema nervoso autônomo.” “Essa técnica estimula o nervo vago.” Essas explicações são atraentes porque parecem fornecer um mecanismo fisiológico sofisticado para justificar os efeitos da terapia manual. Mas existe uma pergunta fundamental: As evidências realmente demonstram que técnicas manuais produzem efeitos autonômicos específicos, previsíveis e clinicamente relevantes? Foi justamente essa questão que Roura e colaboradores investigaram no estudo  “Do manual therapies have a specific autonomic effect? An overview of systematic reviews” , publicado em 2021 na  PLOS ONE . E a resposta é muito mais cautelosa do que muitas narrativas utilizadas na prática clínica. Os autores concluíram que terapias manuais  podem produzir alterações e...

Kinesio Taping Funciona para Distúrbios Musculoesqueléticos? Uma Análise Crítica de 128 Revisões Sistemáticas

 Poucas intervenções se tornaram tão visualmente populares na fisioterapia esportiva quanto o  Kinesio Taping (KT) . As famosas faixas coloridas aparecem em atletas profissionais, consultórios, academias e competições esportivas. Ao longo dos anos, diferentes mecanismos foram propostos para justificar sua utilização: redução da dor, melhora da circulação, facilitação ou inibição muscular, correção biomecânica, melhora proprioceptiva, aumento da força e até mudanças no posicionamento articular. Mas existe uma pergunta muito mais importante do que saber qual cor ou qual direção de aplicação utilizar: Depois de décadas de pesquisas, existe evidência confiável de que o Kinesio Taping produz benefícios clinicamente relevantes? Em 2026, Mo e colaboradores publicaram na  BMJ Evidence-Based Medicine  o estudo  “Effectiveness and clinical relevance of kinesio taping in musculoskeletal disorders: an overview of systematic reviews and evidence mapping” . E estamos falando ...

Terapia Craniossacral para Enxaqueca Funciona? Uma Leitura Crítica de um Ensaio Clínico Randomizado

 A terapia craniossacral é frequentemente apresentada como uma abordagem capaz de influenciar diferentes condições clínicas por meio de técnicas manuais suaves aplicadas principalmente sobre o crânio, coluna e sacro. Entre as indicações propostas por seus defensores está a  enxaqueca . Em 2022, Muñoz-Gómez e colaboradores publicaram no  Journal of Clinical Medicine  o ensaio clínico randomizado  “Effect of a Craniosacral Therapy Protocol in People with Migraine: A Randomized Controlled Trial” . Cinquenta pessoas com diagnóstico de enxaqueca foram randomizadas para receber um protocolo de terapia craniossacral ou uma intervenção sham. Os autores concluíram que o protocolo foi eficaz e poderia ser considerado uma abordagem terapêutica para pessoas com enxaqueca. À primeira vista, parece uma evidência favorável à terapia craniossacral. Mas existe uma diferença fundamental entre perguntar: “O estudo encontrou diferenças estatisticamente significativas?” e perguntar:...