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Dor Patelofemoral é realmente tão comum? O que uma revisão sistemática revela

Dor na frente do joelho ao subir escadas. Dor durante o agachamento. Incômodo depois de permanecer muito tempo sentado. Dor correndo, saltando ou treinando. Para quem trabalha com fisioterapia musculoesquelética, esse cenário é extremamente familiar. A dor patelofemoral é frequentemente apresentada como uma das condições mais comuns do joelho. Mas existe uma pergunta que parece simples e que, durante muito tempo, não teve uma resposta tão clara: Afinal, quantas pessoas realmente apresentam dor patelofemoral? Smith e colaboradores tentaram responder essa questão em uma revisão sistemática com meta-análise publicada na  PLOS ONE  em 2018. E os números ajudam a entender por que essa condição merece muito mais atenção clínica do que simplesmente procurar uma patela "fora do lugar". O que os pesquisadores fizeram? Os autores realizaram uma revisão sistemática da literatura buscando estudos que investigassem a incidência ou prevalência de dor patelofemoral. Foram incluídos  23 ...

Dentro do cérebro de um atleta de elite: o que a neurociência explica sobre a alta performance?

 O que separa um atleta de elite de uma pessoa comum? Força? Velocidade? VO₂ máximo? Genética? Anos de treinamento? Tudo isso pode participar da equação. Mas existe outra dimensão fascinante da alta performance:  a maneira como o sistema nervoso aprende a perceber, decidir e executar movimentos em ambientes extremamente complexos e sob enorme pressão temporal. Em uma revisão publicada na  Nature Reviews Neuroscience , Yarrow, Brown e Krakauer analisaram o que diferentes áreas da neurociência poderiam explicar sobre o desempenho esportivo de alto nível. E talvez a principal mensagem do artigo seja esta: O atleta de elite não é simplesmente alguém que executa o mesmo movimento com maior perfeição. Ele se torna extremamente eficiente em encontrar soluções para atingir um objetivo. O atleta não controla cada detalhe do movimento Uma das ideias mais interessantes discutidas pelos autores é que movimentos altamente habilidosos não precisam apresentar exatamente a mesma trajetór...

A Fáscia Toracolombar é Diferente em Pessoas com Dor Lombar? O Que a Nova Meta-Análise Mostra — e o Que Ela Não Pode Provar

 A fáscia toracolombar ganhou enorme destaque nos últimos anos. Em cursos, congressos e redes sociais, ela aparece frequentemente como explicação para dor lombar, alteração de movimento, perda de mobilidade, rigidez e até como uma estrutura que precisaria ser “liberada” manualmente. Mas existe uma pergunta mais básica, e cientificamente importante: A fáscia toracolombar realmente apresenta características diferentes em pessoas com dor lombar quando comparada a indivíduos assintomáticos? Em agosto de 2026, Wilke, Debertshaeuser e Konrad publicaram na  Sports Medicine - Open  a revisão sistemática com meta-análise  “Differences in the Thoracolumbar Fascia Between Low Back Pain Patients and Healthy Individuals” . O estudo encontrou diferenças interessantes. Pacientes com dor lombar apresentaram, em média: maior espessura da fáscia toracolombar; maior rigidez; maior ecogenicidade; e uma associação moderada entre maior espessura fascial e maior intensidade de dor. À prime...

Dor Patelofemoral é Realmente Tão Comum? O Que uma Revisão Sistemática Mostra — e o Que os Números Não Devem Fazer Você Concluir

 A dor patelofemoral é uma das condições mais frequentes encontradas na prática clínica musculoesquelética. Ela aparece em adolescentes, corredores, atletas, militares e também na população geral, geralmente associada a dor anterior ou retropatelar provocada por atividades que aumentam a demanda sobre a articulação, como agachar, correr, saltar e subir ou descer escadas. Mas existe uma pergunta epidemiológica fundamental: Quantas pessoas realmente apresentam dor patelofemoral? Em 2018, Smith e colaboradores publicaram na  PLOS ONE  o estudo  “Incidence and prevalence of patellofemoral pain: A systematic review and meta-analysis” , justamente com o objetivo de organizar os números de incidência e prevalência dessa condição em diferentes populações. O estudo se tornou uma referência importante porque mostrou que a dor patelofemoral é extremamente frequente. Mas, ao mesmo tempo, ele também demonstra algo que precisamos ensinar aos alunos e profissionais: números epidemi...

Terapia Manual Realmente “Regula” o Sistema Nervoso Autônomo? Uma Análise Crítica das Evidências

 É comum encontrar na osteopatia, na fisioterapia e em outras áreas da terapia manual afirmações como: “Essa técnica aumenta o parassimpático.” “Manipular esta região reduz a atividade simpática.” “Trabalhar o crânio ou o sacro regula o sistema nervoso autônomo.” “Essa técnica estimula o nervo vago.” Essas explicações são atraentes porque parecem fornecer um mecanismo fisiológico sofisticado para justificar os efeitos da terapia manual. Mas existe uma pergunta fundamental: As evidências realmente demonstram que técnicas manuais produzem efeitos autonômicos específicos, previsíveis e clinicamente relevantes? Foi justamente essa questão que Roura e colaboradores investigaram no estudo  “Do manual therapies have a specific autonomic effect? An overview of systematic reviews” , publicado em 2021 na  PLOS ONE . E a resposta é muito mais cautelosa do que muitas narrativas utilizadas na prática clínica. Os autores concluíram que terapias manuais  podem produzir alterações e...