Postagens

Sua Postura Está Errada? Por Que Precisamos Parar de Culpar a Postura Pela Dor dos Pacientes

  Você já disse a um paciente que sua dor lombar era causada pela postura errada? Ou que sua cervical doía porque a cabeça estava projetada para a frente? Talvez tenha explicado que a anteversão da pelve aumentava a pressão sobre a coluna, que os ombros anteriorizados provocavam dor ou que determinada assimetria precisava ser corrigida. Durante décadas, essas explicações fizeram parte da formação de fisioterapeutas, osteopatas e outros profissionais da saúde. E pareciam bastante lógicas. Afinal, se a coluna possui curvas consideradas normais, qualquer desvio dessas curvas poderia representar um problema mecânico. Mas existe uma questão fundamental: Se determinada postura realmente causa dor, deveríamos encontrar uma relação consistente entre essa postura e os sintomas dos pacientes. E quando analisamos a literatura científica, descobrimos que essa relação é muito mais complexa do que aprendemos. Isso não significa que a postura não importa. Significa que precisamos abandonar a idei...

Afinal, Como a Terapia Manual Funciona? Uma Revisão de 62 Estudos de Revisão Revela o Que Sabemos — e o Que Ainda Não Conseguimos Explicar

Durante décadas, a terapia manual foi ensinada a partir de explicações predominantemente biomecânicas. Manipulávamos uma vértebra porque ela estaria fora do lugar. Mobilizávamos uma articulação porque ela estaria bloqueada. Aplicávamos técnicas miofasciais porque os tecidos estariam aderidos. E, quando o paciente melhorava, concluíamos que havíamos corrigido o problema. Mas existe uma pergunta que deveria acompanhar qualquer intervenção terapêutica: Como sabemos que o mecanismo que utilizamos para explicar a melhora foi realmente o responsável pelo resultado? Nos últimos anos, a neurociência, a imunologia e a fisiologia começaram a modificar nossa compreensão sobre os possíveis mecanismos da terapia manual. Hoje sabemos que o toque e a aplicação de forças mecânicas podem provocar respostas em diferentes sistemas do organismo. Mas isso significa que finalmente descobrimos como a terapia manual funciona? Em março de 2025, Keter e colaboradores publicaram na revista  PLOS ONE  o ...

A inteligência artificial está deixando você um profissional melhor ou mais preguiçoso?

O perigo não está em usar a inteligência artificial para encontrar respostas. Está em aceitar respostas que você não sabe avaliar. Imagine um paciente com dor lombar irradiada para o membro inferior. Você descreve os sintomas para uma ferramenta de inteligência artificial e, em poucos segundos, recebe hipóteses diagnósticas, sugestões de testes, explicações fisiopatológicas e até um plano de tratamento. Tudo muito bem organizado, com linguagem técnica e, muitas vezes, referências científicas. Mas existe uma pergunta fundamental: você sabe avaliar se aquela resposta está correta? Você formulou suas próprias hipóteses? Identificou as informações que ainda faltavam? Considerou diagnósticos alternativos? Consegue justificar a conduta proposta? Ou simplesmente aceitou a recomendação porque ela pareceu convincente? Essa diferença é fundamental. A inteligência artificial pode ser uma ferramenta extraordinária para o desenvolvimento profissional. Mas também pode se transformar em u...