Fascite Plantar - o que fazer?

A fascite plantar é uma condição muito limitante e uma causa comum de dor no calcanhar em adultos. Ela afeta mais de 1 milhão de pessoas por ano, e dois terços dos pacientes com fascite plantar vai procurar cuidados. É um problema que afeta populações sedentárias e atléticas. Obesidade, pronação excessiva do pé,  excessivos treinamentos e corridas e muito tempo em pé são fatores de risco para o desenvolvimento de fascite plantar. 

O diagnóstico é baseado principalmente na história e exame físico. Os pacientes podem apresentar dor no calcanhar com os seus primeiros passos na parte da manhã ou após prolongados esforços, e forte dor com a palpação da região do calcâneo plantar medial. Desconforto na fascia plantar proximal pode ser provocada por flexão passiva do tornozelo ou flexão dorsal do pé. 

O diagnóstico por imagem raramente é necessário para o diagnóstico inicial de fascite plantar. Uso de ultra-sonografia e ressonância magnética é reservado para casos recidivantes ou para descartar outras patologias calcanhar; achados de aumento da espessura da fáscia plantar e tecido anormal sinalizam o diagnóstico de fascite plantar. 

Os tratamentos conservadores ajudam a dor incapacitante. Inicialmente, tratamentos constituídos de descanso, modificação de atividade, massagem com gelo, analgésicos orais e técnicas de alongamento podem ser tentados por várias semanas. Se a dor no calcanhar persistir, tratamentos, em seguida, tais como modalidades de fisioterapia, órteses de pé, tala noturna, e as injeções de corticóide deve ser considerados. Noventa por cento dos pacientes irá melhorar com estas técnicas conservadoras. Os pacientes com fascite plantar crônica com duração de seis meses ou mais pode considerar a terapia de ondas de choque extracorpóreas ou fasciotomia plantar.


Nossos leitores já sabem que quando queremos descobrir qual é o tratamento mais eficaz para algum problema devemos procurar os famosos ECR (Ensaios Clínicos Randomizados) e as Revisões Sistemáticas da Literatura então, vamos começar a nossa breve revisão.

Garret (2013) realizou um trabalho para avaliar a efetividade da utilização de alongamentos da parte posterior da perna (gastrocnemio e soleo) em pacientes com fascite plantar e os resultados foram bons para melhora da dor em estágios iniciais do problema.

Porém, essas orientações podem e devem muitas vezes serem passadas para que os pacientes façam em casa e o que podemos fazer adicionalmente?


Em um ECR, Shashua et al (2015), avaliaram os efeitos das mobilizações de tornozelo e médio pé para os desfechos de dor (escala numérica de dor), incapacidade funcional (Lower Extremity Funcional Scale) e algometria.

Foram selecionados um total de 50 pacientes e divididos em 2 grupos, os dois grupos receberam os mesmos tratamentos: US e exercícios de alongamento e o grupo tratado recebeu adicionalmente mobilizações de tornozelo e médio pé.

Os resultados não apresentaram diferenças entre os grupos, ambos apresentaram diminuição da dor, incapacidade funcional de membros inferiores e aumento da amplitude de movimento de tornozelo e pé.

E a conclusão desse estudo foi que a adição de mobilizações de tornozelo e médio pé não são uma forma de melhorar esses desfechos.

Ufa! Ainda bem que em Osteopatia nossos recursos não são somente mobilizações e orientações de alongamentos para casa né?




Bibliografia


Goff JD1, Crawford R. Diagnosis and treatment of plantar fasciitis. Am Fam Physician. 2011 Sep 15;84(6):676-82.

Garrett TR1, Neibert PJ. The effectiveness of a gastrocnemius-soleus stretching program as a therapeutic treatment of plantar fasciitis. J Sport Rehabil. 2013 Nov;22(4):308-12. Epub 2013 May 22.

Shashua A1, Flechter S, Avidan L, Ofir D, Melayev A, Kalichman L. The effect of additional ankle and midfoot mobilizations on plantar fasciitis: a randomized controlled trial. J Orthop Sports Phys Ther. 2015 Apr;45(4):265-72. doi: 10.2519/jospt.2015.5155. Epub 2015 Mar 4.



Escrito por

Leonardo Nascimento, Ft Msc ETM DO
Fisioterapeuta pela UNICID/SP
Pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
Professor e Coordenador da Escola de Madrid
Mestre e Doutorando em Ciências da Reabilitação – USP
Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)




É um estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo – USP


Comentários

  1. Fiquei na expectativa de falar mais sobre a osteopatia no tratamento da fasceite plantar e acabou texto? Cadê? Rs.

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  2. Realmente fascite e o calcanhar de aquiles de muitos terapeutas.
    Discutir abordagem osteopatia seria interessante.

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  3. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=OMT+AND+plantar+fascitis

    No link acima, temos as referências de OMT (Osteopathic Manipulative Treatment) relacionado com o tema fascite plantar, e infelizmente como o nosso blog fala de ciência, ainda não temos publicações que relacionem esses temas.

    Fica claro que devemos estudar e discutir isso em Osteopatia!

    Obrigado pelos comentários

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