A importância do toque para os osteopatas e seus pacientes!

O toque é o processo pelo qual uma pessoa contata fisicamente outro indivíduo e, como tal, desempenha um papel integral na prática osteopática. Os profissionais osteopáticos usam o toque em quase todos os aspectos do tratamento, incluindo exame, diagnóstico e tratamento. 

O toque é uma característica essencial da terapia manual e, para a maioria dos profissionais, desempenha um papel significativo no exame, diagnóstico e tratamento do paciente. Além disso, o toque na saúde é frequentemente usado para comunicar um sentimento terapêutico mais sutil de bondade, cuidado e apoio. Essa complexidade do toque sustenta os papéis comunicativos significativos que o toque desempenha no processo terapêutico, bem como a importância do toque para tratamento em terapia manual.

Embora o toque seja intrínseco à prática osteopática, até o momento não há pesquisas publicadas que qualifiquem a experiência do toque osteopático em uma sessão de tratamento. (#ficaadica!)

O objetivo deste estudo fenomenológico foi examinar e descrever a experiência de contato do paciente durante uma consulta com um profissional osteopata. 

A metodologia utilizada foi selecionar três osteopatas que identificaram cinco potenciais participantes de sua própria prática clínica. Os dados foram registrados durante entrevistas semiestruturadas face a face. As entrevistas foram transcritas e os dados textuais foram analisados ​​utilizando os princípios da fenomenologia hermenêutica. Os temas foram identificados nos dados e uma descrição da experiência vivida do toque osteopático emergiu.




A figura acima mostra a forma que a entrevista foi aplicada nos pacientes e como foram analisados os dados de acordo com os campos analisados.


O toque foi identificado como uma forma poderosa e distinta de comunicação e, consequentemente, é uma importante área de prática para todos os fisioterapeutas.
Esta pesquisa sugere que o toque pode não ser apenas um subproduto do exame e da técnica, mas é a base na qual o cuidado e a atenção, bem como as atitudes e competências profissionais, são comunicadas ao paciente.
Como muitas reclamações sobre profissionais de saúde podem ser rastreadas até a qualidade da comunicação, os profissionais precisam estar pensando sobre o papel do toque dentro de sua própria prática.

Três temas fenomenológicos foram identificados nos dados e divididos em nove subtemas constituintes.  O processo e uma interação física, chamou a atenção para a relação paciente-praticante físico e a importância de uma interação envolvente, bidirecional e solidária. 

O profissionalismo e responsabilidade do profissional, explorou o papel do tato no desenvolvimento de uma interação profissional e enfatizou as expectativas do paciente em relação ao cuidado, confiança e limites, enquanto o tema reafirmava o papel tranquilizador do toque. e como ilustrou o conhecimento do profissional, competência técnica e confiança.

Pode-se concluir que o toque constitui a peça central da medicina osteopática como já foi descrito por inúmeros autores. Uma análise da experiência dos participantes revelou que o tato é uma característica importante da interação entre o profissional e o paciente. 

Para os participantes, o toque comunicava o cuidado e a atenção do praticante, bem como sua atitude e competência profissional. Examinar os resultados dessa pesquisa no contexto da literatura de saúde mais ampla revelou que o toque é uma forma poderosa e distinta de comunicação. Mais importante ainda, a literatura indica que a comunicação eficaz forma a base de um relacionamento paciente-praticante bem-sucedido e determina profundamente a satisfação do paciente e outros resultados na área da saúde.

E vocês como andam tocando os seus pacientes?


Por Leonardo Nascimento, Ft Msc DO
Fisioterapeuta
Pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
Professor e Coordenador da Escola de Madrid
Mestre e Doutorando em Ciências da Reabilitação – USP
Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)
Membro do Comite Científico da AOB (Associação de Osteopatas do Brasil)

É um estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo – USP

Bibliografia

Consentine, S., Staden, C., Crisen, E. Knowing hands converse with an expressive body – An experience of osteopathic touch. Int Jour Ost Med. Volume 19 (3-12), 2016.

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