Lombalgia em pacientes obesos - como a Osteopatia pode ajudar?


Man Ther. 2012 Oct;17(5):451-5. doi: 10.1016/j.math.2012.05.002. Epub 2012 May 31.
Osteopathic manipulative treatment in obese patients with chronic low back pain: a pilot study.
Vismara L1, Cimolin V, Menegoni F, Zaina F, Galli M, Negrini S, Villa V, Capodaglio P.



A obesidade tem sido considerada um dos mais graves problemas de saúde pública da atualidade. A prevalência do excesso de peso representa uma séria preocupação, como fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônico-de- generativas e outras enfermidades. 

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de adultos apresentam excesso de peso, e desses, pelo menos, 300 milhões são obesos. 

No Brasil, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, realizada entre 2002 e 2003, mostraram que 40,6% da população total de adultos apresentaram sobrepeso, sendo 11% considerados obesos, com prevalência maior entre as mulheres. 

Nas últimas décadas, os casos de sobrepeso e obesidade têm aumentado de for- ma preocupante em todo o mundo. Essa situação tem preocupado as instituições governamentais mundiais e seus diversos setores da área da saúde, uma vez que os tratamentos da obesidade e das patologias a ela relacionadas acarretam elevados custos aos sistemas de saúde pública.

O número de pessoas com esses problemas tem alcançado índices alarmantes em muitos países industrializados. O Brasil, infelizmente, está incluído nessa síndrome do excesso de peso. 

Os resultados do último censo mostram que 40% dos brasileiros estão acima do peso considerado adequado. Os dados de estatísticas recentes evidenciam que, dependendo da região do Brasil, de 22% a 44% da população urbana adulta são portadores de hipertensão arterial. 

Esses números tornam-se extremamente importantes, pois essa doença está diretamente relacionada a eventos cerebrovasculares, coronariopatia e mortalidade. Sabe-se, ainda, que o risco desses eventos aumenta progressivamente com o aumento no nível de hipertensão arterial.

Profissionais da área da saúde relatam que pessoas obesas correm o risco de distensão nas costas; entretanto, existem pesquisas conflitantes sobre a obesidade como “causa” ou não de dores nas costas.

Pessoas obesas também podem ter dificuldade para recuperar-se de crises de dores nas costas por causa do estado geral de falta de condicionamento físico. A recuperação e a reabilitação podem levar mais tempo para elas que para pessoas em forma. Muitos profissionais da saúde recomendam aos pacientes que percam o peso extra que sobrecarrega as costas.

A dor lombar crônica pode ser causada por doenças inflamatórias, degenerativas, neoplásicas, defeitos congênitos, debilidade muscular, predisposição reumática, sinais de degeneração da coluna ou dos discos intervertebrais e outras. Entretanto, frequentemente a dor lombar crônica não decorre de doenças específicas, mas sim de um conjunto de causas, por exemplo, fatores sócio-demográficos (idade, sexo, renda e escola- ridade), comportamentais (fumo e baixa ativida- de física), exposições ocorridas nas atividades cotidianas (trabalho físico pesado, vibração, posição viciosa, movimentos repetitivos) e outros (obesidade, morbidades psicológicas).

O tratamento da obesidade deve incluir modificações dietéticas, aumento na atividade física, e modificação comportamental na postura familiar e do indivíduo obeso. Acredita-se que esse tratamento deve ser baseado em uma ação multi- disciplinar, integrada por profissionais, tais como professor de educação física, nutricionista, fisioterapeuta, osteopata, psicólogo e médico, visando principal- mente o equilíbrio biopsicossocial do indivíduo.

Osteopatia é uma disciplina que enfatiza o tratamento conservador da doença em uma visão holística por isso, foi testada em um estudo para tratamento de dores lombares em pacientes obesos. 

Esse estudo é um estudo piloto controlado randomizado para investigar se o Tratamento Osteopático Manipulativo (OMT), combinada com exercícios específicos (SE) é mais eficaz do que a SE sozinho em pacientes obesos com dor lombar crônica.

Os sujeitos (19 mulheres obesas de acordo com o IMC) foram selecionados e divididos aleatoriamente em dois grupos -  SE + OMT e SE.

A avaliação foi realizada com os seguinte parâmetros - qualidade do movimento lombar durante a flexão usando um sistema opticoeletrônico.

Um modelo biomecânico foi desenvolvido a fim de analisar a cinemática e determinar os ângulos de interesse clínico, que não foi bem descrito no estudo por isso não será comentado especificamente aqui.

Os parâmetros  foram então, a cinemática da coluna torácica, lombar e da pelve durante a flexão da coluna, dor de acordo com uma escala visual analógica (EVA), Roland Morris Questionnaire e Oswestry Lombalgia Disability Questionnaire.

Os resultados apresentados evidenciam efeitos significativos sobre cinemática relatados somente para OMT + SE com uma melhoria na coluna torácica do movimento de quase 20%. 

Todos os escores das escalas clínicas utilizadas melhoraram significativamente. As maiores melhorias ocorreram no grupo OMT + SE.

E mais uma vez, em um estudo piloto, percebe se a evidência do OMT + SE com maior eficácia no tratamento do que o OMT isolado.

O tratamento de reabilitação combinado, incluindo OMT + SE mostrou ser eficaz na melhoria dos parâmetros biomecânicos da coluna vertebral torácica em pacientes obesos com dor lombar crônica. 

Porém tais resultados devem ser atribuídos a OMT, uma vez que não eram evidentes no grupo SE. Observou-se também uma redução da incapacidade e dor. 

Sempre que temos um estudo piloto, deve se lembrar da pirâmide da PBE (Prática Baseada em Evidências) e verificar que estamos diante de um estudo com um peso médio na tomad de decisão clínica, a partir dele pode se iniciar um ensaio clínico randomizado e então, teremos posteriormente, as revisões sistemáticas sobre o tema. E por isso, os resultados clínicos devem ser considerados preliminares devido ao pequeno tamanho da amostra.





Por Leonardo Nascimento

Leonardo Nascimento, Ft Msc ETM DO
Fisioterapeuta pela UNICID/SP
Pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
Mestre e Doutorando em Ciências da Reabilitação – USP
Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)



É um estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo – USP

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