Quais os efeitos do tratamento de osteopatia craniana na oxigenação cerebral?

Effect of Cranial Osteopathic Manipulative Medicine on Cerebral Tissue Oxygenation

Efeito do Tratamento de Medicina Osteopática Craniana na oxigenação dos tecidos cerebrais


From the departments of integrative physiology (Drs Shi and Downey and Mr Prajapati) and osteopathic manipulative medicine (Drs Rehrer, Stoll, and Gamber), the Cardiovascular Research Institute (Drs Shi and Downey), and The Osteopathic Research Center (Drs Shi, Gamber, and Downey) at the Univer- sity of North Texas Health Science Center in Fort Worth.
Financial Disclosure: This study was supported in part by AOA grant #09- 11-594.
Address correspondence to Xiangrong Shi, PhD, 3500 Camp Bowie Blvd, Department of Integrative Physiology, University of North Texas Health Sci- ence Center, Fort Worth, TX 76107-2644.




O uso do tratamento de medicina osteopática craniana (OMM) e os efeitos na saturação de oxigénio do tecido cerebral poderia desempenhar um papel na manutenção da homeostase cerebral.

Sabemos que a osteopatia tem um princípio fundamental que é a lei da auto cura e com ela temos manutenção da homeostase e como será que essa lei age na oxigenação do tecido cerebral?


O artigo analisou os efeitos da OMM craniana na saturação de oxigênio nos tecidos cerebral e a função autonômica cardíaca em adultos saudáveis.


A metodologia utilizada foi a aplicação de técnicas ostepáticas cranianas e em um outro grupo a utilização do sham (placebo) em  21 sujeitos adultos saudáveis (idades entre 23-32).

Durante OMM craniana e terapia placebo, SCTO2 do córtex pré-frontal foi determinada bilateralmente usando espectroscopia de infravermelho.

A freqüência cardíaca, pressão arterial e saturação arterial sistêmica de oxigênio no sangue (SaO2) também foram medidos. 

As medições foram feitas durante os períodos de referência de 2 minutos, durante as aplicações das técnicas de 4 minutos, e durante períodos de recuperação de 5 minutos.


Como protocolo de estudos para a avaliação do sistema nervoso autônomo - que no caso é a frequência cardíaca a oxigenação cerebral - os sujeitos permaneciam por 15 minutos deitados para a normalização e primeira medição.

  As técnias cranianas utilizadas foram randomizas e sinlge blindes (sujeitos) foram então utilizadas 3 técnicas para aumento, 3 técnicas para a diminuição e 3 técnicas placebo e todo esse protocolo foi validado em um estudo piloto anterior, referência abaixo.

Wray DW, Formes KJ, Weiss MS, et al. Vagal cardiac function and arterial blood pressure stability. Am J Physiol Heart Circ Physiol. 2001;281(5):H1870- H1880.

A técnica de aumento utilizada foi uma técnica para o aumento do movimento da sincondrose esfenobasilar para aumentar o mecanismo respiratório primário. A técnica para a diminuição utilizada foi a técnica do quarto ventrículo. E a técnica sham (placebo) foi realizada com a colocação da mão na região occipital sem interferência nenhuma na mobilidade craniana.


Os resultados foram que as diferenças nas medições basais para a técnica de implante, técnica de supressão, e terapia placebo não foram estatisticamente significantes para a freqüência cardíaca, pressão arterial, SaO2, deixou SCTO2, ou SCTO2 direita. 

Durante a técnica de supressão, houve uma diminuição estatisticamente significativa tanto para a esquerda (inclinação [desvio padrão] = -0,33 [0,08]% / min, R2 = 0,85, P = 0,026) e direito (inclinação [padrão desvio] = - 0,37 [0,06]% / min, R2 = 0,94, P = 0,007) com o aumento do tempo SCTO2 OMM craniana. 

No entanto, nem a técnica de aumento nem a terapia placebo tiveram um efeito estatisticamente significativo sobre SCTO2. 

O que o estudo concluiu foi que a técnica de supressão OMM craniana é eficaz e reduz a SCTO2 em ambos os lobos pré-frontais.

Uma falha no estudo foi falar sobre o aumento e a diminuição do mecanismo respiratório primário mas, não ter utilizado nenhuma ferramenta para a sua aferição porém, pode ser perceber que as técnicas cranianas tem uma ação direta na oxigenação cerebral, especialmente nos lóbulos pré frontais.

E uma sugestão para a continuidade pode ser ainda além da avaliação da mobilidade craniana na realização das técnicas e ainda avaliar se outras técnicas pode agir em outras regiões cerebrais ou ainda como fica a pressão intracraniana.





Por Leonardo Nascimento


 Leonardo Nascimento, Ft Msc ETM DO
 Fisioterapeuta pela UNICID/SP
 Pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
 Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
 Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
 Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
 Mestre e Doutorando em Ciências da Reabilitação - USP
 Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)

É um estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo - USP




É interessado na área de diagnóstico em Osteopatia e Terapias Manuais e na validação da palpação como ferramenta diagnóstica.

Comentários

  1. Parabéns Leonardo.

    Pelo o que entendi a técnica CV4 mostrou alteração na oxigenação do lobos pré frontais, porém o que significa esta alteração? Pois diminuiu a SctO2, quer dizer que relaxou os lobos?

    Um abraço

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    Respostas
    1. Prof Paulo Dobruski, obrigado pela leitura e o comentário!

      O valor refere se a saturação de oxigênio e os autores não encontraram maneiras de relacionar com a hipótese do estudo - que era ao contrário. E esse valor é um dos parâmetros utilizados na avaliação dos fluídos sanguíneos cerebrais mas, os autores não fazem essa relação direta com o SNA também.

      Como foi comentado, uma continuidade deste estudo deve ser realizada pois, as medidas utilizadas ofereceram excelentes parâmetros mas, a discussão e as conclusões não correlacionaram todos os dados.

      Muito obrigado mais uma vez!!

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