Quais as relações entre dores lombares e a mobilidade renal após tratamento osteopático da fáscia renal?


J Bodyw Mov Ther. 2012 Jul;16(3):381-91. doi: 10.1016/j.jbmt.2012.02.001. Epub 2012 Mar 3.
Low back pain and kidney mobility: local osteopathic fascial manipulation decreases pain perception and improves renal mobility.
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1Centro di Ricerche Olistiche per la Medicina Osteopatica e Naturale, C.R.O.M.O.N., Via Pasquale Fiore 18, 00136 Rome, Italy. pt_osteopathy@yahoo.it


A lombalgia mais uma vez é tema de publicações na área de osteopatia e já sabemos  da sua importância no dia a dia de nossos consultórios.

Agora, utilizamos um variado arsenal de técnicas para tratamento desde técnicas manipulativas, músculo energia (counter strain) até técnicas de tecido conjuntivo ou fasciais.

Sabe se atualmente, que o tecido conjuntivo é um tecido de preenchimento e ligação, entre outras funções, e isso faz com que um problema em uma região seja transmitido para outra por meio desse sistema fascial. E sabe se também que a partir da mobilidade diafragmática, temos também uma movimentação das vísceras. E qual a interferência dessa mobilidade visceral no aparecimento de quadros de lombalgia?

Esse artigo avaliou a mobilidade renal por meio de US (ultrassom) em tempo real. Para o tratamento fascial osteopático foram utilizados a técnica de Still (ST)  e o Desenrolamento Fascial (FU). O principal objetivo deste estudo foi verificar a influência desse tratamento fascial na percepção da dor em pacientes com lombalgia após o tratamento.

Foram utilizados 101 pacientes assintomáticos (30 mulheres) com idade média de 38,9 anos, que realizaram  uma triagem com US abdominal e então, calculadas as referências para verificação da mobilidade renal D em inspiração máxima e expiração máxima e então estabelecidas as médias de mobilidade de normalidade.

Para a formação do grupo experimental e controle foram utilizados 140 participantes (66 mulheres) com idade média de 39,3 anos, que tinham queixa de dores lombares inespecíficas, foram então, selecionados 109 para um grupo experimental e outros 31 para um grupo controle. O grupo experimental foi tratado com a manipulação fascial com as técnicas mencionadas acima.

Um ponto importante do estudo foi a avaliação cega do US e uma avaliação osteopática da região toracolombar foi realizada. Todas os grupos, experimental e controle, foram tratados pelo mesmo osteopata e o placebo utilizado foi o sujeito permanecer na posição do tratamento pelo mesmo tempo - já discutimos a aplicação do placebo aqui neste blog, vide arquivos anteriores.

Os resultados apresentados mostrou que houve uma diferença significativa entre o grupo de normalidade e o grupo com dores lombares inicialmente. Ou seja, a mobilidade renal em indivíduos com dores lombares e o grupo de normalidade apresentou uma diferença de modo que os indivíduos com dores lombares apresentaram uma mobilidade renal reduzida em relação à indivíduos normais.

Outra diferença importante apontada pelo estudo foi que os indivíduos do grupo experimental em relação ao controle após a intervenção fascial apresentaram uma diminuição significativa na percepção da dor lombar e um aumento da mobilidade renal.

O estudo comprova então que as pessoas com lombalgia não específica apresentam com uma redução de mobilidade renal em comparação com os achados em indivíduos assintomáticos. 

E ainda, o ponto mais interessante desse estudo, que a manipulação osteopática fascial é uma abordagem manual eficaz para a melhoria da mobilidade renal e redução da percepção da dor a curto prazo, em indivíduos com dor lombar não específica.

E agora, como devemos avaliar e tratar nossos pacientes com lombalgia?



Por Leonardo Nascimento


 Leonardo Nascimento, Ft Msc ETM DO
 Fisioterapeuta pela UNICID/SP
 Pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
 Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
 Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
 Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
 Mestre e Doutorando em Ciências da Reabilitação - USP
 Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)

É um estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo - USP


É interessado na área de diagnóstico em Osteopatia e Terapias Manuais e na validação da palpação como ferramenta diagnóstica.

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