Quais os efeitos da manipulação lombosacral bilateral na excitabilidade nervosa?

Artigo - O efeito da manipulação lombosacral na excitabilidade do reflexo espinhal e corticoespinhal em participantes assintomáticos.




J Manipulative Physiol Ther. 2012 Feb;35(2):86-93. doi: 10.1016/j.jmpt.2011.09.010. Epub 2011 Oct 28.
The effect of lumbosacral manipulation on corticospinal and spinal reflex excitability on asymptomatic participants.

Author information

1School of Biomedical and Clinical Sciences and Institute of Sport, Exercise and Active Living, Victoria University, Melbourne, Australia. gary.fryer@vu.edu.au


O artigo foi publicado em uma revista de impact factor (IF) de 1,358.

O objetivo do estudo foi examinar os efeitos de uma manipulação de alta velocidade, de baixa amplitude (HVLA) para a articulação lombossacral na excitabilidade corticoespinhal, medida pelo potencial evocado motor (MPE), utilizando a estimulação magnética transcraniana, e a excitabilidade do reflexo, medido pelo reflexo Hoffman (H-reflex).

A estimulação magnética transcraniana e o Reflexo de Hoffman são parâmetros bem estabelecidos, não invasivos, indolores e seguros para verificar o funcionamento do sistema nervoso central.
Em muitos estudos anteriores foram encontrados alterações na excitabilidade medular antes e após manipulações (HVLA).

  Em um estudo controlado, cruzado, randomizado, 14 voluntários assintomáticos (idade média de 23 ± 5,4 anos; 10 homens) foram medidos para os parâmetros e H-reflex, imediatamente antes e depois de uma intervenção, aleatoriamente. 

As intervenções consistiram de HVLA aplicada bilateralmente para a articulação lombossacral e uma intervenção de controle (SHAM). 

Conforme já conversamos por aqui sobre a importância do SHAM, vamos a descrição do procedimento considerado placebo - o osteopata colocava o sujeito em decúbito lateral, sem nenhuma força de torção ou contato manual sobre a coluna vertebral. O participante permanecia nesta posição por aproximadamente 45 segundos de cada lado, a mesma duração da HVLA.

Os participantes voltaram uma semana depois, e os mesmos procedimentos foram realizados usando a outra intervenção. Dados para o H-reflex e amplitudes MEP foram normalizados para o máximo de amplitude da onda-M e analisadas por análise de duas vias de variância de medidas repetidas. 


O autor ressalta que em todos os pacientes que receberam a HVLA houve uma cavilação audível e nenhum efeito colateral foi percebido pelos participantes.

Os resultados mostraram uma interação significativa do tratamento por tempo encontrada para o MEP (F1,13 = 4,87, P = 0,04) e a análise post hoc mostrou que o índice máximo / M-wave MEP diminuiu significativamente no tratamento HVLA (P =. 02; tamanho do efeito, 0,68). 

Para H-reflex, houve um efeito significativo de tempo (F1,13 = 8,186, P = 0,01) e tratamento e tempo de interação (F1,13 = 9,05, P = 0,01), com post hoc análises mostrando que H- reflexos foram reduzidos significativamente após a manipulação HVLA (P = 0,004; tamanho do efeito, 0,94).

Não houve mudanças significativas na latência MEP ou a duração do período de silêncio. 


Uma manipulação HVLA aplicada à articulação lombossacral produziu uma redução significativa na excitabilidade do reflexo espinal e corticoespinal, e não houve alteração significativa após a intervenção de controle.

As mudanças no H-reflex foram maiores após a intervenção, sugerindo um elevado grau de inibição ao nível da medula espinhal. 

E você, quais são seus objetivos quando realiza uma manipulação bilateral lombosacral?







 Leonardo Nascimento, Ft Msc ETM DO
 Fisioterapeuta pela UNICID/SP
 Pós graduado em Fisioterapia Ortopédica e Desportiva pela UNICID/SP
 Especialista em Terapia Manual e Postural pela Cesumar/PR
 Especialista em Osteopatia pela Universidade Castelo Branco/RJ
 Osteopata Certificado pela Escola de Madrid
 Mestre e Doutorando em Ciências da Reabilitação - USP
 Diplomado em Osteopatia pela SEFO (Scientific European Federation Osteopaths)

É um estudioso da área de palpação e sensibilidade manual tátil no Laboratório de Fisioterapia e Comportamento na Universidade de São Paulo - USP



É interessado na área de diagnóstico em Osteopatia e Terapias Manuais e na validação da palpação como ferramenta diagnóstica

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